
Eu era do tipo de garota que queria ser diferente, que queria modificar o mundo, que queria se destacar.
O tipo de menina que abominava a idéia de seguir o caminho que a maioria das pessoas segue.
Que não entendia porque gente como ela se contentava em viver uma única vida e ser medíocre na única oportunidade que tinha. Ser comum. Ser normal, sim, porque acaba sendo uma norma que os ricos acabem por ser mais ricos, e mais bem sucedidos, e mais espetaculares, e sempre mais que qualquer ser 'mortal'.
O destaque que eu queria focava o dinheiro principalmente. Eu não me conhecia, no fundo eu acho que sentia a necessidade de ter uma vida dentro dos 'padrões' de uma sociedade comum.
Porém, não parava de dizer aos meus pais, que assim que pudesse iria embora de onde eu vivo, iria abandonar tudo, e nunca mais iria voltar.
Passei a minha infância 'pseudodiando' tudo ao meu redor. Eu não me encaixava. Eu não queria me encaixar.
Procurei me encontrar na música, acredito que me encontrei. Foram os anos mais interessantes da minha vida, até então. Fui espetacular, fui a melhor nos quesitos que precisava. Tocava e cantava por sóis, estações e por vários pingos de chuva a cair.
Chegou o dia em que não me deixaram seguir, colocaram todos os empecilhos que você pode imaginar, desacreditaram do meu talento. Não o pude provar. É triste como as pessoas podem ser más, podem te humilhar se quiserem.
Há uns dois verões e meias estações, abandonei a minha maior qualidade. Apertei 'pause' na trilha que vinha tocando. Vinte-e-quatro-horas se tornaram tão curtas e tão rápidas que tive de abandonar.
Isso é desculpa, papo-fiado. Você não abandona um sonho por falta de tempo. Você se esquece de sonhar porque os desacredita, porque ninguém te apóia, porque acha que já não vale mais a pena. Porque é covarde e se curva às leis da 'segura' chatisse.
Há exatos, ou nem tanto, oito meses e 10 dias eu encontrei a metade mais importante. O meu porto seguro. Meu Deus! Agora sim, eu posso entender. Agora sim, eu entendo. Eu sei, só agora, porque 'clichês' valem tanto a pena. Porque tantos velhinhos se casaram, e tiveram filhos, e se contentaram a trabalhar a vida inteira só para pagar uma boa faculdade para eles, e agora na velhice, já tão gastos, tão usados, tão suados viverem uma vida calma com algumas regalias.
Eu consigo entender porque o almoço de domingo é uma felicidade maior que o mundo. Que todos os 'Oscares' e 'Prêmios Nobeis' juntos não são nada. Nada comparado a encontrar num mundo tão exorbitantemente grande, cheio de tantas pessoas, que você acha iguais, e vazias, encontrar o seu amor. O MEU AMOR-PRA-VIDA-TODA.
É tão incrível poder enxergar dentro do coração dele. De ter pensamentos e sentimentos em conexão.
Ligados, nós somos um só.
Coisa de Deus. Só assim pode ser explicável. Porque Ele é perfeito, e Ele encaixou tudinho de um modo tão sutil...
Há 15 anos atrás eu tinha um 'marido', ia 'trabalhar' no banco, fazia compras no mercado, e tinha uma filhinha a 'Beli' pra cuidar.
As minhas brincadeiras estão virando realidade.
No fundo eu sempre quis ser 'normal'.
No fundo eu sempre soube que ia te achar, amor.Mas é diferente. É ser espetacular em cada movimento, é me entregar sem ter medo e saber que tenho a maior segurança do mundo em você, T.
É fugir na normalidade das vidas em casal. É comemorar almoços de domingos, é dar as mãos e empurrar o carrinho do mercado, é ser memorável por poder compartilhar de uma única vida com outra pessoa. É fazer de cada segundo uma vida inteira, e assim vamos vivendo, cada segundo o mais feliz de qualquer vida que possivelmente já existiu ou poderá existir.
É ser supremo. É fazer qualquer coisa parecer insignificante, o maior dos luxos, e a maior das vontades, invisíveis perto da sensação de poder olhar pra você e ter o seu olhar preso ao meu coração.
Eu desconhecia a minha maior qualidade. É tão bom saber pra quê vim a esse mundo. Pra te amar fui feita.
Pra ser o teu encaixe.
Pra florescer o nosso jardim.
Pra crescer contigo.
Pra sonhar contigo.
Pra te escutar.
Pra te olhar.Pra te cuidar.
Pra você. Pra ser pra você, Tarcísio.



